Saúde

Novas fronteiras na matriz neuromusculoesquelética da dor

A integração dos mecanismos da dor com descobertas físicas objetivas e estratégias de punção

Artigo da autoria do Prof. Dr. Jay P. Shah, professor universitário na Escola de Medicina de Harvard, em Nova Iorque (EUA) e formador da Master para o curso de Dor Crónica Miofascial e Sensibilização Espinal Segmentária

Em síndromes de dor crónica (por exemplo, SDM, fibromialgia, etc.), são observadas alterações neuroplásticas profundas, com variações na excitabilidade neuronal e na arquitetura das estruturas da matriz da dor (como a medula espinhal, o núcleo talâmico, zonas corticais, a amígdala e área cinzenta periaquedutal). Este processo dinâmico pode alterar decisivamente o limiar da dor, a sua intensidade e o consequente envolvimento emocional (1).


Os impulsos na matriz da dor podem começar com a ativação de nociceptores polimodais, estruturas que podem ser sensibilizadas por substâncias libertadas pelo tecido lesado e pelos próprios terminais nocicetivos. Os aferentes nocivos prolongados podem causar alterações de longo prazo na expressão génica, no processamento somatossensorial e na estrutura sináptica. Por exemplo, uma barragem contínua de aferentes nocivos no corno dorsal (um processo denominado "bombardeio aferente") causa a liberação de L-glutamato e substância P (SP). A liberação conjunta dessas duas substâncias pode diminuir os limiares de ativação sináptica e abrir conexões sinápticas anteriormente inativas em neurônios de ampla faixa dinâmica (RDL), induzindo consequentemente a sensibilização central (2, 3).


A sensibilização regula positivamente a expressão de canais iónicos e recetores e aumenta o número dessas proteínas de membrana em nociceptores e neurónios do corno dorsal. Em circunstâncias normais, existe um equilíbrio dinâmico entre os mecanismos facilitadores e inibidores da dor. Os neurónios que transmitem informações nociceptivas são controlados por uma variedade de interneurónios inibitórios, que são estruturas críticas na prevenção da transição da dor aguda para a dor crónica (1).


A dor musculoesquelética é a manifestação mais comum de dor crónica. É preferível usar o termo dor neuromusculoesquelética para descrever um estado de dor musculoesquelética crónica, pois envolve precisamente alterações fundamentais do sistema nervoso - às vezes de forma irreversível. Os pontos-gatilho miofasciais ativos (PGM) são uma causa comum de dor neuro-musculoesquelética, pois são uma fonte potencialmente importante de bombardeio aferente nos neurônios do corno dorsal. PGMs latentes representam um achado físico semelhante, mas não produzem sintomas de dor espontânea.


Este artigo irá integrar o conhecimento emergente da ciência da dor de uma forma clinicamente acessível, aprofundando a compreensão dos mecanismos de sensibilização central e periférica, especificamente, no papel decisivo que essas alterações neuroplásticas desempenham na perpetuação da neurodor.


👉 Ler artigo completo aqui (artigo original completo em espanhol).

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