Saúde

O papel da fisioterapia na reabilitação de doença oncológica da mama

A terapia manual é fundamental no tratamento desta condição.

O esquema tradicional de reabilitação da doença oncológica da mama não demonstra ser eficaz no tratamento das complicações destas doentes, pelo que nos deparamos com bastantes desafios nos seus processos de reabilitação, sobretudo das doentes submetidas a radioterapia que, pela ação direta das radiações sobre as estruturas regionais, desenvolvem com frequência:

- ulcerações cutâneas;

- nevrite dos ramos do plexo braquial;

- fibrose periarticular da articulação do ombro originada pelas lesões tróficas resultantes da radioterapia, com que se associam frequentemente alterações músculo-esqueléticas de toda a cintura escapular – Síndrome da fibrose radioinduzida;

- fibrose do parênquima pulmonar e da própria parede torácica;

- linfedema do membro superior.


De todas as complicações, o linfedema, pela incidência e incapacidade que provoca, merece uma referência especial. O seu aparecimento está relacionado com a radioterapia e com a cirurgia, se implica remoção dos gânglios linfáticos axilares ou não. O linfedema é o resultado da formação e aglomeração de tecido rígido fibroso que envolve a raiz do membro e que se torna responsável pela dificuldade da drenagem da linfa – SÍNDROME DA FIBROSE RADIOINDUZIDA. Deste modo, todas as tentativas que visem apenas forçar o esvaziamento da parte distal do membro, manterão a situação, pois não farão mais do que recircular um líquido no interior de uma área fechada. A eliminação do bloqueio fibrótico proximal será a condição para iniciar e conseguir eficazmente a drenagem distal (M.S.V. Fernandes, J.M. Jordão).


A terapia manual é fundamental no tratamento desta condição, com massagem do tecido conjuntivo com mobilização dos tecidos moles e terapias miofaciais, técnicas desfibrosantes, técnicas tensoras e mobilização neural, podendo ainda ser associada à eletroterapia.

A colocação de uma prótese mamária e ou a reconstrução mamária, completam a integração destas doentes. A reconstrução mamária é outro processo de tremenda importância na doente oncológica da mama.


Mas recuperar a forma feminina poderá ser um processo extremamente complicado! Os tecidos necrosados pela radioterapia e a aglomeração das fibroses são os maiores limitadores do sucesso das reconstruções mamárias e são também um enorme desafio à habilidade do fisioterapeuta em modelar a prótese ou retalho, em recuperar a mobilidade dos tecidos circundantes e articulações envolventes e no combate à dor e à rejeição da mama reconstruída.

A melhor forma de aprender é praticar em casos reais, para perceber de perto uma realidade cada vez mais presente.


Temas a abordar na formação:

- Anatomia da mama - Anatomo-fisiologia e biomecânica do complexo articular do ombro e cervical

- Circulação linfática

- O cancro da mama: diferentes tipos e tratamentos aplicados

- A quimioterapia e os seus danos colaterais

- A radioterapia e os efeitos necróticos nos tecidos. Síndrome da fibrose radioinduzida.

- A mastectomia: tipos de intervenção cirúrgica: implante mamário, expansão e implante, retalhos músculo-cutâneos e T.R.A.M

- Intervenção do fisioterapeuta em cada fase do tratamento da doente

- Técnicas manuais de eliminação de fibroses - Terapias miofasciais aplicadas à doente submetida a radioterapia

- Técnicas de recuperação de mobilidade tecidual e articular

- Reeducação postural

- Modelagem da mama reconstruída: complicações frequentes, desafios a superar, técnicas manuais de reabilitação.

- Recursos alimentares e suplementares na redução dos malefícios da quimio e da radioterapia.


Referências Bibliográficas


1 - Bernardes, A. (2010). Anatomia da mama feminina. In: Manual de Ginecologia, Carlos Freire de Oliveira, Permanyer Portugal. II: 167-173.


2 - Artigo de revisão: Reabilitação em oncologia: M.S.V. Fernandes, J.M. Jordão - Serviço de Medicina Física e de Reabilitação do Hospital de Santa Maria. Lisboa: ACTA MÉDICA PORTUGUESA 1989;


3 - 167-172 3- Azcona, L. (2008). Insuficiencia venosa - Prevención y tratamiento. Farmacia Profesional, 22(10), 36-40. Coito, J.R. (2008). Suplementos e produtos “naturais” na farmácia. Farmácia Prática, 16 (II). 


4 - Henrich, L.H. (2011). Os benefícios da utilização da dermopigmentação em disfunções estéticas. Monografia não publicada de graduação, Universidade Luterana do Brasil – ULBRA, Canoas, Brasil. Oliveira, R.R., Morais, S.S., Sarian, L.O. (2010).


5 - Efeitos da reconstrução mamária imediata sobre a qualidade de vida de mulheres mastectomizadas. Rev. Bras. Ginecol. Obstet., 32 (1), 602-608. Saad, J. F. (2001).


6 - Adesiyun, T. A., B. T. Lee, et al. (2011). "Impact of sequencing of postmastectomy radiotherapy and breast reconstruction on timing and rate of complications and patient satisfaction." International journal of radiation oncology, biology, physics 80(2): 392-397.


7 - Opportunities for rehabilitation of patients with radiation fibrosis syndrome


8 - Deep Friction Massage in Treatment of Radiation-induced Fibrosis: Rehabilitative Care for Breast Cancer Survivors


9 - Alderman, A. K., Y. Wei, et al. (2006). "Use of breast reconstruction after mastectomy following the Women's Health and Cancer Rights Act." JAMA : the journal of the American Medical Association 295(4): 387-388.


10 - Ananthakrishnan, P. and A. Lucas (2008). "Options and considerations in the timing of breast reconstruction after mastectomy." Cleveland Clinic journal of medicine 75 Suppl 1: S30-33.

11 - Nahabedian, M. Y., T. Tsangaris, et al. (2003). "Infectious complications following breast reconstruction with expanders and implants." Plastic and reconstructive surgery 112(2): 467-476.

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