Saúde

Ecografia músculo-esquelética: diferencia a tua prática clínica

Ecografia músculo-esquelética: a técnica de exploração radiológica mais importante em traumatologia, reumatologia e medicina desportiva

A ecografia músculo-esquelética é, hoje, uma ferramenta clínica consensual e de exímia reputação pelo seu fácil acesso e rapidez, precisão e confiabilidade diagnósticas, sendo a técnica de exploração radiológica mais importante em traumatologia, reumatologia e medicina desportiva.


Pese embora o uso contemporâneo da ecografia no estudo do sistema ME, as constantes inovações tecnológicas e os avanços nas aplicações clínicas permitem-nos constatar que estamos apenas a dar os primeiros passos neste campo.


Cientes que a dificuldade no estudo da exploração ecográfica se deve à incapacidade para avaliar as imagens correctamente, organizamos, em parceria com o Musculosketletal Ultrasound In Physical Therapy (MUP), a ESPECIALIZAÇÃO EM ECOGRAFIA MÚSCULO-ESQUELÉTICA DO MEMBRO INFERIOR, um evento formativo exclusivo e inédito em Portugal.


Para facilitar a tua análise da pertinência desta formação na diferenciação da tua prática clínica, deixo-te um resumo das estruturas que irão ser abordadas:


1. Articulação coxo-femoral

A coxo-femoral é uma articulação localizada em profundidade e, portanto, menos acessível à exploração ecográfica. Não obstante, tanto na coxo-femoral como nos seus músculos associados, existem estruturas nervosas, vasculares, tendinosas e articulares que são susceptíveis de ser submetidas a um útil e sensível estudo ecográfico. A exploração ecográfica desta articulação tem sido utilizada mais comumente para a detecção da displasia do desenvolvimento da coxo-femoral em bebés. No entanto, mais recentemente, a criação e modificação de transductores pequenos, bem como o conhecimento cada vez mais generalizado sobre a utilidade da ecografia para avaliação de afecções do aparelho locomotor, tem resultado num aumento da quantidade de explorações ecográficas da coxo-femoral em adultos, mostrando grande utilidade nos tratamentos ecoguiados. As patologias intra-articulares ou do labrum pertencem ao domínio da ressonância magnética. Para o desenvolvimento do estudo ecográfico da coxo-femoral, é conveniente dispor de uma sonda multifrequência que opere entre 6 e 12 MHz. Baixar até frequências de 6 MHz permite uma melhor visualização das estruturas profundas em utentes de maior corpulência, enquanto que com frequências mais altas obtêm-se imagens de grande resolução em estruturas superficiais.


2. Articulação do joelho

Diversos transtornos que afectam os tendões, os vasos, os nervos, as articulações e as estruturas para-articulares do joelho podem avaliar-se com exactidão mediante ecografia. Por outro lado, a técnica tem limitações específicas na avaliação dos transtornos do joelho que afectam os meniscos na sua porção intra-articular e ligamentos cruzados. A exploração ecográfica do joelho realiza-se com um transductor de matriz linear de banda larga, que trabalha a um intervalo de frequências de 5-10 MHz. Para a avaliação da fossa poplítea, uma sonda com uma frequência central de 5 MHz pode ajudar na avaliação ecográfica das estruturas mais profundas, enquanto que as frequências ecográficas num intervalo de 10-15 MHz podem melhorar a avaliação das estruturas mais superficiais, como o tendão rotuliano e o nervo peroneal em torno da cabeça do perónio. O uso de tecnologia de campo de visão ampliado pode ser útil para obter uma vista panorâmica da região do joelho e permitir uma medição mais exacta e uma comparação de seguimento das massas expansivas. Além disso, facilita a interpretação das imagens ecográficas e torna-as mais aceitáveis para o clinico.


3. Articulação talocrural

A ecografia do tornozelo permite-nos complementar, de forma exacta, a exploração desta região que, muitas vezes, apresenta uma baixa especificidade clínica, confundindo-se ou supondo-se a sintomatologia de umas patologias com outras. A proximidade das estruturas e a sua superficialidade obrigam-nos a uma avaliação selectiva de cada uma delas de forma individualizada, estudando-as em cortes multiplanares. Apesar das radiografias habituais continuarem a ser cruciais para avaliar e diagnosticar muitas afecções do tornozelo, a ecografia tem vindo a ser cada vez mais considerada na avaliação das anomalias dos tendões, articulações, ligamentos, nervos e outras estruturas dos tecidos moles. A exploração ecográfica deve centrar-se nos sinais clínicos e orientar-se por eles, de modo a incrementar a eficácia do estudo. Devem utilizar-se sondas de alta frequência, se possível, com um intervalo entre 7 e 18 MHz, podendo inclusivamente utilizar-se sondas tipo stick para definir com grande fiabilidade estruturas mais finas e de pior acesso. Na ecografia do tornozelo é quase obrigatório realizar um estudo dinâmico, já que a maioria das lesões são articulares e ligamentosas, o que compromete a estabilidade articular. A melhor maneira de comprová-lo é a realização das provas dinâmicas de stress em eversão, inversão, flexão dorsal e flexão plantar.


4. Articulações do pé

O pé é uma região anatómica complexa, formada por 28 ossos, trinta articulações e mais de 100 músculos, tendões e ligamentos, e pode ser afectado por várias alterações congénitas, inflamatórias, infecciosas, degenerativas e neoplásticas. A dor no pé é, efectivamente, uma das causas mais frequentes de consulta ambulatória por sintomas do sistema músculo-esquelético. Pode causar significativa incapacidade e limitar não só o rendimento de atletas, mas também as actividades diárias de pacientes sedentários. Uma grande variedade de alterações específicas do pé afectam os tecidos moles, ossos e articulações, nervos e vasos, assim como várias patologias sistémicas podem produzir dor no pé. Na exploração ecográfica utilizam-se referências anatómicas específicas e convencionais. A título de exemplo os movimentos em plano transversal descrevem-se na relação com a linha média do pé, que se define como o eixo longo do segundo dedo, e não em relação à linha média do corpo. Em consequência, a adução é o movimento até ao segundo dedo e a abdução o movimento que se afasta dele. Para reduzir a lista de diagnósticos diferenciais é importante realizar uma anamnese detalhada e uma cuidadosa exploração física.

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Fonte:

Galíndez, P. et al (2015). Ecografía musculoesquelética: atlas ilustrado. Sociedade Española de Médicos Generales e de Familia. Editorial Medica Panamericana.

Bianchi, S. et al (2014). Ecografía Musculoesquelética. Madrid: Marbán Libros.

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