Exercício

Biomecânica e neurofisiologia da postura

Qual a diferença entre postura e controlo postural?

Iniciamos este tema com uma pergunta: qual a diferença entre postura e controlo postural?


A postura pode ser definida como uma combinação das posições relativas dos segmentos corporais ou de todo o corpo em relação a um quadro/sistema de referência. Por outro lado, controlo postural pode referir-se a manter a posição de um segmento do corpo em relação a um referencial externo, ou a manter a posição de um segmento em relação ao próprio corpo (Latash & Zatsiorsky, 2015).


Quando o tema é postura, grande parte da bibliografia centra a sua atenção na orientação vertical do corpo, ou seja, a manutenção da posição corporal em respeito à direcção da Gravidade. Por outras palavras, o indivíduo não cair quando está em pé.


É compreensível o fascínio por este “sub-tema” da postura, pois ao analisarmos todos os mecanismos e estruturas que estão envolvidos na nossa capacidade em permanecer na posição bípede, facilmente percebemos que o “simples” não cair quando estamos parados é de uma complexidade verdadeiramente admirável.


Primeiramente, devemos ter em consideração que a postura humana é inerentemente instável pois temos um centro de massa (CM) com uma localização relativamente alta, e uma base de suporte relativamente pequena – tem aproximadamente 0,1m2 (mais concretamente 0,09m2).


Tendo em conta o nosso desejo, e necessidade, de mantermos a projeção do nosso CM “dentro” da nossa base de suporte, é importante realçar o elevado número de articulações existentes entre o referido CM e a nossa base de suporte, o que obriga a um eficiente controlo neural dessas articulações.


Assim, existem 3 perguntas frequentemente colocadas relativamente ao controlo postural, e que se relacionam com 3 tarefas:

1. Como uma pessoa em pé consegue não cair? – ficar em pé quieto.

2. Como uma pessoa em pé prepara a postura para uma perturbação previsível associada a uma acção da pessoa? – realizar acções rápidas em pé.

3. Como a frágil postura vertical é protegida contra forças externas inesperadas? – manter a postura vertical quando uma perturbação mecânica age no corpo.


Logicamente não será possível responder a estas questões neste texto, pois a complexidade e extensão do mesmo seria elevada. No entanto, podemos referir alguns aspectos que devem ser tidos em consideração.


Ao contrário do que é normalmente imaginado, quando um indivíduo tenta permanecer em pé sem se mover, a projecção do CM evidencia pequenos e caóticos desvios relativamente a uma coordenada média, sendo estes desvios não-intencionais chamados de oscilação postural (postural sway). Ora, a oscilação postural, contrariamente ao que seria de esperar, tem directa relação com a estabilidade postural, mas será esta oscilação benéfica? A resposta é depende!


Se por um lado as pessoas idosas revelam um “sway” aumentado e pior estabilidade postural, por outro lado indivíduos com Parkinson evidenciam um “sway” reduzido e também uma maior instabilidade postural. Tendo em conta estes factos, facilmente percebemos que oscilações posturais (postural sway) tem um propósito – possivelmente relacionado com exploração das questões de estabilidade (Mochizuki et al., 2006; Murnaghan et al., 2014) – e que, antagonicamente ao que muitas vezes é defendido, postura e controlo postural são fenómenos dinâmicos regulados por uma variedade de mecanismos, alguns inerentes às propriedades musculares periféricas (ex: dependência da força muscular da relação comprimento-velocidade), outros mediados por feedbacks originados por receptores sensoriais de diferentes modalidades (sistema visual, vestibular e somatossensorial).


E se o fenómeno é dinâmico então podemos correlacioná-lo com o movimento, pois o “movimento é uma sequência temporal de posturas – ou seja, um vídeo criado a partir de um conjunto de fotos – enquanto a postura é uma componente inerente ao movimento todo o movimento tem uma componente postural [ex: pensemos num carpinteiro a bater com um martelo num prego. Existe a componente postural (segurar o prego na posição correcta) e componente do movimento (mover o martelo para bater no prego)]. Desta forma, tão importante quanto analisar a postura de alguém é analisar o seu movimento – não esquecendo da tríade indivíduo-tarefa-meio – pois assim saberemos identificar o que pode ou não ser corrigido/melhorado.



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