Saúde

Qual a melhor abordagem para problemas músculo-esqueléticos?

Da promoção do tratamento conservador - terapia manual e exercício - à educação e aconselhamento, e à identificação dos factores psico-sociais, o utente deve estar sempre no centro da abordagem.

As disfunções músculo-esqueléticas são um dos problemas de saúde mais prevalentes e que maiores custos apresentam.


Num estudo muito recente foram identificadas as maiores dificuldades em consultas relacionadas com a dor músculo-esquelética:

  • Excessivo uso de exames imagiológicos: é muito frequente o uso de Exames Complementares de Diagnóstico (ECD), como Raio-X, Ecografias ou Ressonâncias Magnéticas, embora cada vez mais evidência científica afirme que se deve reduzir o número de ECD realizados. Só devem ser solicitados em casos muito específicos.
  • Realização excessiva de cirurgias: embora seja cada vez mais contra-indicado (salvo raras excepções), a realização de cirurgias em diversas condições (osteoartrose, atrodese lombar, meniscectomias degenerativas…), aumenta de ano para ano.
  • Excessivo uso de opióides: apesar do uso de opióides ser constantemente questionado, “há um uso crescente e uma 'epidemia' de prescrição de medicamentos relacionados com opiáceos“.
  • Falha na prestação da educação e aconselhamento desde a primeira consulta: cada vez mais a evidência suporta a prestação de informação educativa, como parte do tratamento, em todos os domínios que envolvem a patologia/condição. Apesar disso, apenas 20% dos pacientes recebem essa mesma informação como cuidado primário.


O mesmo estudo elabora também 11 recomendações baseadas na evidência cientifica existente:

  • O paciente deve ser o centro da abordagem: o paciente é o mais importante em todo o processo. Deve-se ter em conta o contexto e as decisões devem partilhadas.
  • Identificar “Red Flags”: identificar e excluir, no momento da anamnese, sinais de patologia grave (fratura, tumor, síndrome cauda equina, etc) e (re)enviar/referenciar para profissional qualificado.
  • Avaliar factores psico-sociais: cada vez mais evidência demonstra a importância dos factores sociais, psicológicos e emocionais na relação com a dor, patologias e disfunções.
  • Desencorajar o uso de ECD: excepto se existir suspeita de patologia grave, os sintomas progredirem de forma inexplicável ou caso não exista progressão positiva no tratamento conservador.
  • Promover exames físicos: um exame físico com qualidade permite ser mais preciso na identificação dos pontos a melhorar. Este deve incluir, por exemplo, avaliação neurológica, da mobilidade e das capacidades físicas.
  • Avaliar a progressão do utente: avaliar de forma subjectiva e objectiva toda a progressão para melhor monitorização do processo e para ir adaptando o plano conforme as necessidades. Pode também servir como reforço positivo durante a evolução.
  • Promover educação e aconselhamento: explicar ao paciente em que consiste a sua condição, como geri-la e quais as melhores estratégias para, em conjunto, obterem o melhor resultado possível.
  • Promover actividade física e/ou exercício: o exercício físico tem inúmeros benefícios, comprovados cientificamente, tanto na promoção da saúde como na reabilitação.
  • Terapia manual: a terapia manual é uma excelente ferramenta mas não deve ser utilizada individualmente. Deve estar acoplada a estratégias ativas.
  • Optar pelo tratamento conservador: salvo raras excepções (e.g., “Red Flags”), devemos oferecer sempre informação baseada em evidência não cirúrgica antes da cirurgia. A cirurgia deve ser a última opção.
  • Promover o retorno às actividade diárias: Dentro das possibilidades os utentes devem manter ou retornar o mais rápido possível tanto à actividade laboral como as actividades da vida diária.


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Artigo escrito pelo fisioterapeuta Gustavo Figueiredo. Licenciado em Fisioterapia pela Universidade Fernando Pessoa e mestre em Fisioterapia no Desporto pela Escola Superior de Tecnologia e Saúde do Porto, exerce prática na clínica FISIOGlobal - Saúde Integral, FisioNorte, Castelo da Maia Ginásio Clube e Clínica Sua Saúde. 

Ver Mais

Fonte:

Should exercises be painful in the management of chronic musculoskeletal pain? A systematic review and meta-analysis.

Incidence and prevalence of upper-limb work related musculoskeletal disorders: A systematic review.

What does best practice care for musculoskeletal pain look like? Eleven consistente recommendations from high-quality clinical practice guidelines: systematic review.

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